Mother! (2017)


Mãe!, real. Darren Aronofsky. EUA, 2017. 35mm, DCP, cor, 121 min.

A falta de cultura bíblica é uma desgraça. É uma calamidade difícil de compreender num tempo de disseminação do conhecimento, embora ainda não da sua democratização plena — e a Igreja Católica tem uma quota-parte de responsabilidade neste estado de coisas. Trata-se do desconhecimento do que também somos, quer queiramos quer não, como José Saramago não desistiu de dizer. Mãe! é um sintoma agudo desta falta de conhecimento da riqueza de sentidos dos textos bíblicos. O engenho conceptual coloca o figurativo no seu centro e desenvolve uma narrativa de personagens sem nome nem história para falar acerca da violência humana, em particular aquela exercida sobre a Mãe Terra. O filme também pode ser visto como a visualização de uma sádica fantasia machista. Em qualquer um dos casos, Jennifer Lawrence merecia mais do que ser reduzida a um símbolo vazio ou a um saco de pancada, descartável e descartada em ambas as situações pelo poder masculino (celeste ou terreno) a que está submetida. Nem lágrimas nem risos. [02.10.2017]